Ali estava ela, se aprontando para mais uma apresentação. Mas aquela era especial, na verdade aquela apresentação não seria bem uma apresentação. Era apenas um momento no qual ela queria reviver. Desde arrumar os cabelos e colocar aquela tal da redinha, que nunca ficava como queria aos seu olhar, até o amarradar das faixas de suas sapatilhas de ponta. Ela se atentava aos mínimos detalhes. Queria ficar perfeita. Mas a total perfeição não chegaria por causa de algo que lhe incomodava demais e que não a sustenta como há alguns anos atrás. Sua coluna, não poderia mais continuar a dançar. Dor, dor e mais dor.
Depois de tanto tempo sem tocar naquela linda roupa, naquelas sapatilhas tão surradas mas perfeitas para uma pirueta. Foi a tentação. Colocou-as. Esqueceu de tudo e de todos. Parecia que o tempo parou para vê-la mais uma vez vestida de bailarina. Ela, ergueu-se. Pronta, perfeita para mais uma apresentação. Ela olhava ao redor, via sofá com almofadas coloridas, a tv empoeirada, a poltrona que lhe acolhia na leitura de um livro e os quadros pindurados.
Fechou os olhos. Respirou profundamente e ao abrir nada mais estava lá. Só ela. Tomou mais um folego e começou com os passos mais básicos. As mãos e os braços não se agitavam, parecia deslizavam gentilmente pelo ar. As pernas ainda guardavam as lembraças das ultimas danças, tentavam repetí-las. Foi quando tentou dar uma pirueta. Seu corpo pendeu, suas pernas perderam o equilíbrio e cai. Assim, volta à realidade. Àquela que tirou todo o prazer que sentia ao deslizar por todos os cantos de uma sala, àquela que não deixava mais realizar nenhum movimento em que precisava da coluna, àquela que fez que o que mais amava torna-se passado, um passado triste quando relembrava.
E continuou por mais um tempo, caída, chorando e tentando se conformar pois não poderia mais entrar nos palcos, dançar e nem ouvir mais os aplausos calorosos. Não mais, nunca mais.
Bailarina - LKON - Mai/2007
quarta-feira, 17 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Da vida não se leva nada
O simples objetivo de uma vela é queimar até acabar o pavio. Algumas vezes ela queima por completo, com uma chama linda e dançante. Outras vezes, escorre a cera em volta e a vela fica toda disforme e feia, mas queima até o fim. Porém, um simples sopro interrompe e extingue a chama que antes era de cor vermelha-alaranjada e com aquele movimentar inebriante agora vê-se apenas o pavio queimado.
Todos estão fadados a crescer, aprender, ensinar e partir. Por mais que isso seja explicito e de sabedoria popular há uma dificuldade imensa em saber lidar com a perda. Fica um vazio e vem a tona um sentimento, o primeiro de muitos... A tristeza. Nos pensamentos vem a enxurrada de lembranças, e você teima em procurar no meio delas a última palavra trocada, o último olhar, gesto, sorriso, abraço...
Infelizmente, não dá para pedir nem negociar para que alguém amado e querido fique por mais tempo. Viva mais. A única coisa que pode ser feito é aproveitar cada minuto ao lado de quem gosta. Nunca esquecer de dizer o quanto gosta/ama essa pessoa. E se brigar... faça as pazes. Porque, afinal, não sabemos o que acontecerá daqui a pouco. Pois o futuro nunca chega... e o presente é eterno...
LKON - mar/10
Todos estão fadados a crescer, aprender, ensinar e partir. Por mais que isso seja explicito e de sabedoria popular há uma dificuldade imensa em saber lidar com a perda. Fica um vazio e vem a tona um sentimento, o primeiro de muitos... A tristeza. Nos pensamentos vem a enxurrada de lembranças, e você teima em procurar no meio delas a última palavra trocada, o último olhar, gesto, sorriso, abraço...
Infelizmente, não dá para pedir nem negociar para que alguém amado e querido fique por mais tempo. Viva mais. A única coisa que pode ser feito é aproveitar cada minuto ao lado de quem gosta. Nunca esquecer de dizer o quanto gosta/ama essa pessoa. E se brigar... faça as pazes. Porque, afinal, não sabemos o que acontecerá daqui a pouco. Pois o futuro nunca chega... e o presente é eterno...
LKON - mar/10
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